Diário da Mãe

O teu filho não é o meu filho!

Vamos conversar. Sobre o quê? Comparações. É isso mesmo.

Que hábito tão ancestro-moderno de compararmos tudo da nossa vida com a vida dos outros. É porque aquela tem um corpo mais tonificado que o meu, porque aquele tem uma casa maior que a minha, porque o carro deles é novo e o meu não… tudo quase como se fosse uma “inveja” boa.

Mas, no que diz respeito à maternidade e aos filhos, gente…Minha nossa! Este assunto torna-se gritante! Como se filhos fossem competição!

Tudo começa quando estamos grávidas. Comparam-se barrigas, emoções e até o enxoval da criança.

quando o bebé nasce, caímos no mundo mais assustador que existe no que diz respeito à ansiedade, ao medo, à gestão de expectativas e, naquele baby blues terrível em que parece que as hormonas beberam água demais e andam todas aos saltinhos a fazer-nos desabar. Nessa altura temos ideia também de que todos sabem mais que nós além de que estamos claramente assoberbadas de informação por todo o lado e muito vulneráveis.

Nesta fase, há sempre mentes iluminadas que mesmo sem pedirmos a opinião, vêm com os seus conselhos espetaculares “deita o bebé de barriga para baixo que antigamente era assim e ninguém morria” (calma, mas era suposto morrerem?) ou então “se o teu bebé quer estar sempre a mamar é porque ou o teu leito é fraco ou não presta” … e lá vamos nós nestas cantigas da treta que nos atropelam o bom senso.

Depois há a fase, não menos interessante e é aqui que vou assentar as ideias deste artigo. Já repararam que, principalmente os papás de hoje em dia, vivem cheios de informação de tudo e mais um par de botas e mesmo assim não são os mais informados e até são por vezes os mais confusos? Porquê? Porque o que os amigos, a internet e as redes vieram trazer de bom, também vieram trazer muita contradição.

Vejamos. Quantas de “nós” já perguntou coisas deste género:

“O meu bebé tem 7 meses e não se senta sozinho, será normal?” ou “O meu filho tem 12 meses e ainda não anda, com que idade andou o teu?” ou “Quando é que o teu filho deixou a fralda? O meu tem 2 anos e meio e ainda não conseguimos o desfralde” ou ainda “O meu filho tem 18 meses e só diz 2 palavras, quantas é que o teu já diz?”

Depois disto, recebemos também comentários “simpáticos” das outras pessoas como:

“O teu filho não dorme bem? O meu dorme lindamente desde que nasceu!” ou então “Não sabia que o teu filho era enjoado para comer! Já o meu come tudo!”.

E também temos o contrário. Quem ache (com ou sem maldade) que está sempre tudo bem:

“Tem 3 anos e ainda não fala? Não te preocupes que o meu sobrinho também não falava e depois ficou um tagarela” and so on…

E sabem para que servem estes comentários? Para deixarem os pais ansiosos, frustrados, com sentimentos de culpa e de que estão a fazer um péssimo trabalho e que os seus filhos são inferiores aos outros quando nada disto é verdade! Ou então, pelo contrário. Como alguém disse que estava tudo bem, regem-se pelo que ouvem do vizinho e esquecem-se de ir verificar junto dos profissionais competentes se realmente é assim.

E com isto tudo, esquecemo-nos que os nossos filhos são SERES INDIVIDUAIS e cada um com a sua complexidade! Tal como não há 2 pessoas iguais, também não há dois bebés iguais. Lembrem-se disto pff!

Apesar de existirem tabelas que marcam as etapas do desenvolvimento para pais e profissionais se “guiarem” pelo que é dito “normal” e expectável, cada bebé terá o seu ritmo e a sua forma de atingir os objetivos.

Portanto, com isto tudo digo-vos… Ninguém mas ninguém conhece melhor os filhos do que os pais. E, sempre que sintam que algo está errado ou mesmo que tenham dúvidas que fazem parte e são perfeitamente normais e legítimas, peçam a opinião às pessoas e/ou aos PROFISSIONAIS CERTOS e não ao amigo do amigo do amigo do periquito que também passou pelo mesmo. Ou então vá, até podem falar com as pessoas todas que quiserem mas no fim validem sempre com quem realmente sabe!

O vosso filho é ÚNICO! O que é normal no bebé do amigo, do primo ou do vizinho pode não ser normal no vosso e vice-versa!

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