Terapia da Fala

“O meu bebé não quer comer!”

Hoje, dia 16 de Outubro, comemora-se o dia da Alimentação. Um óptimo mote para abordar a recusa e selectividade alimentar no bebé, não acham?

Tantas são as dúvidas e ansiedades dos pais em relação a este tema por isso vamos lá tentar acalmar esses corações quando algo não corre da forma esperada ao nível da alimentação.

Antes de mais é preciso reforçar a ideia de que o bebé, sensivelmente até aos 6 meses (claro que há bebés que iniciam a alimentação aos 4 ou 5 meses mas tudo de acordo com a recomendação dos vossos profissionais) alimenta-se apenas de leite! Seja à maminha ou ao biberão, não conhece outras texturas ou sabores a não ser a do leitinho.

Ora, pensando assim será mais fácil entender que toda a alimentação que é introduzida logo a seguir como a sopa, a papa, a fruta, lhes é estranho certo? Por esse mesmo motivo, há bebés que têm mais dificuldades nos primeiros tempos (semanas ou até meses) e é perfeitamente normal que assim seja. Na minha consulta costumo dar este exemplo: A alimentação é muito cultural por isso, nós portugueses estamos habituados aos nossos alimentos típicos. Mas, se forem a um país asiático em que um dos melhores manjares seja insectos fritos, os papás estariam logo dispostos a experimentar sem “torcerem” o nariz? Se calhar há pais que sim, mas outros que não. E porquê? Porque é estranho. Porque não estão habituados a essas texturas e sabores certo?

É isto que se passa com os bebés nos primeiros tempos de introdução alimentar. Tudo é estranho…desde a colher ao alimento em si.

Curiosidade: Sabiam que o bebé deverá ser exposto entre 5 a 12 vezes ao mesmo alimento para que o explore e por fim o aceite?

Durante o primeiro ano de vida, a alimentação vai sendo cada vez mais diversificada e cada vez mais deixa de ter um textura homogénea para, por volta dos 12 meses ser muito semelhante à do resto da família.

Até por volta dos 5 anos, devido a uma diminuição fisiológica no crescimento , torna-se comum as crianças apresentarem variabilidade do apetite. Fases em que comem mais, outras em que comem menos e com menos apetite no entanto, não existe uma causa orgânica que justifique e normalmente este quadro não tem repercussões negativas no desenvolvimento da criança (mas já sabem, cada caso é um caso!)

Se é preciso muita paciência e dedicação? Sim é. Devemos oferecer o mesmo alimento várias vezes, cozinhados de formas diferentes para as texturas não serem sempre iguais e temos de esperar para que o próprio bebé tenha vontade de lhe tocar, amassar, levar à boca e até atirar para o chão mas, tudo isto é normal e é assim que o bebé explora e descobre o alimento.

Mas, e quando o bebé já passou pela fase inicial da aceitação, já comeu bem e agora não quer comer?

Entre os 18 e os 24 meses, os bebés passam por uma fase, normal, denominada de anorexia fisiológica associada também a uma neofobia alimentar (medo de experimentar novos alimentos). Esta rejeição é mais comum com a carne, frutas e vegetais. E é aqui que surgem as maiores preocupações ao nível nutricional com a dúvida se o aporte de calorias e nutrientes está assegurado.

Vamos a umas dicas da TF?

1º – Enquanto família, mostrem o exemplo correto

Não tentem pedir à criança para comer um prato de sopa, salada ou vegetais se no vosso prato estão batatas fritas com arroz e bife. Claro que há dias excepcionais mas não façam da excepção uma regra.

2º – Comam em família e não separadamente

Muitas das vezes, por razões de logística, os pais dão o almoço ou o jantar ao bebé antes e só após o bebé estar a dormir ou a brincar é que fazem a sua refeição. Tentem evitar que assim seja e partilhem as refeições (pelo menos almoço e jantar) com os vossos pequenotes de forma tranquila e harmoniosa.

3º – Evitem tecnologias à hora da refeição

Quando estão a oferecer um recurso tecnológico para o vosso bebé comer, não estão a tornar a refeição num momento prazeroso de família. Estão apenas a distrair a criança daquilo que tem no prato. Estando distraída provavelmente irá comer melhor mas no fundo sem contacto com o que está a acontecer no momento da refeição. Eles devem aprender a gostar de comer e não comer porque são obrigados a tal!

4º – Não se zanguem com os vossos filhos se eles não quiserem comer e tentem compreender o porquê

Porque será que a criança não quer comer? Porque não gosta dos alimentos? Porque não tem fome? Porque está apenas a fazer uma birra? Apesar de qual seja a situação nenhuma é fácil de gerir mas tentem manter a calma em todas elas porque só assim compreenderão os sinais que os vossos pequenos vos estão a dar. Ah! E quando eles não quiserem comer mais não obriguem de forma nenhuma. Deem tempo para que se acalmem e vão deixando o prato à disposição para quererem explorar e depois irem levando à boca.

5º – Não os compensem com alimentos de que eles gostam quando se recusam a comer o que têm no prato

Se não comeu a sopa ou o peixe com brócolos, não lhe dê a oportunidade de comer uma papa ou um iogurte ou um batido… só lhe estão a dizer que não há problema se não comer o que não quer porque há sempre uma solução óptima a seguir! Não se esqueçam de que se há seres mais que espertos neste mundo, eles são os vossos bebés.

6º – Não desistam de oferecer o alimento que foi rejeitado anteriormente

Vá dando o mesmo alimento confeccionado de formas diferentes e deixe-o ir explorando. Vai chegar o dia em que vos surpreende pela positiva!

7 º – Tudo isto é um processo passageiro

Fiquem tranquilos porque se estão nesta fase, o melhor que vos posso dizer é: Vai passar! Não se deixem fragilizar e não se deixem influenciar pelas chantagens que os vossos filhotes vos possam fazer para comerem apenas aquilo que gostam. Mas lembrem-se também, que o melhor exemplo vem de vocês!

E claro, no fim de tudo, se tiverem dúvidas falem sempre com os profissionais certos e não comparem os vossos bebés ao filho da amiga e do vizinho. O vosso é único!

Como correm as refeições com os vossos bebés?
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