Pediatria

COVID-19 e o regresso às aulas!

  1. Quais são os sintomas da doença na idade pediátrica?

Os sintomas mais frequentes são a febre e tosse. No entanto, também podem apresentar fadiga, dor de cabeça e mialgias, congestão nasal, perda olfativa, dor de garganta, dificuldade respiratória, dor abdominal, diarreia, náuseas e vómitos.

  1. As crianças têm risco de doença grave por infecção a SARS-COV2?

Não. As crianças, quando comparadas com os adultos, têm 20 vezes menor risco de internamento. Como tal, globalmente, o risco de doença grave numa criança previamente saudável é praticamente nulo. Não nos podemos esquecer, que ao contrário da gripe, que tem uma maior gravidade nos doentes asmáticos, no caso do SARS-COV2, essa associação não está comprovada (neste momento, já sabemos que não parece ser um factor de risco considerável).

  1. As crianças são mais infecciosas do que os adultos?

Os estudos existentes são bastante contraditórios, no entanto, globalmente,o peso da evidência científica parece apontar para que as crianças sejam menos infecciosas que os adultos. Isto não quer dizer que não possa existir contágio entre crianças no contexto escolar.

  1. É possível distinguir clinicamente a COVID19 de um síndrome gripal ou de uma bronquiolite numa criança pequena, sem recorrer a um teste específico?

É impossível distinguir clinicamente a COVID19 de um síndrome gripal. As únicas pistas que poderemos ter, será a existência ou não de um contacto próximo comprovadamente infectado. Todos os casos com necessidade absoluta de confirmação diagnóstica exigem um teste que implica a colheita de secreções da naso e orofaringe com recurso a uma zaragatoa.

  1. Como saber orientar os casos suspeitos ou confirmados de infecção?

Os pais podem contactar o seu médico assistente ou a Saúde24. Através do acesso telefónico, serão tomadas resoluções clínicas baseadas em algoritmos testados. 

  1. O que é que as escolas estão a fazer?

Cada escola está a adaptar as directrizes da Direcção Geral de Saúde e Direcção Geral de Educação à sua realidade, tendo em conta a população escolar, recursos humanos e instalações. Isto leva a que cada escola disponha do seu regulamento. 

Quando identificada uma criança sintomática, terão que ser contactados os encarregados de educação e a Saúde 24. Daí sairão orientações específicas.

O facto da escola requerer uma informação escrita do médico assistente que comprove que a criança não tem infecção a SARS-COV2, obriga a realização de um teste diagnóstico, já que não existem sinais clínicos específicos da doença. No entanto, reserva-se às famílias o direito de, em alternativa, proporem o cumprimento de um período de isolamento de 14 dias, obviando assim esta necessidade.

  1. Isolamento: para quem e durante quanto tempo?

O isolamento é necessário para os casos realmente suspeitos (validados pelos algoritmos de decisão da Saúde 24) não testados ou casos confirmados de infecção a SARS-COV2. O período de isolamento estipulado são 14 dias. A decisão de realização de zaragatoas confirmatórias do fim da infecção (resultados negativos), cabe às Autoridades de Saúde, no entanto, é frequente que os casos positivos mantenham a excreção de partículas virais para além dos 14 dias, tornando frequentemente o isolamento mais prolongado.

(Dra. Joana Martins – Pediatra)

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