Psicomotricidade

Atividades de estimulação psicomotora nos bebés dos 0 aos 12 meses

Todas as experiências que os bebés exploram no seu primeiro ano de vida, são muito importantes na ajuda da formação de base, em termos de estrutura cerebral de quem vão ser e como vão ser no seu futuro.

Através de atividades de estimulação psicomotora, podemos proporcionar experiências com uma riqueza diversificada, permitindo que cada bebé desenvolva o seu potencial e aprenda, com respeito pelas suas vontades, gostos, capacidades e ritmo. Podemos ajudar os bebés a crescerem na sua individualidade, numa aprendizagem ativa, convidando-as de forma fluida, leve e tranquila, a explorar o espaço envolvente, o seu corpo e os objetos à sua volta. Proporcionamos um ambiente preparado, seguro, facilitador e incentivador, respeitando as suas vontades, os seus interesses, o seu ritmo, o seu desenvolvimento, sendo facilitadores dos seus movimentos naturais, num desenvolvimento harmonioso.

O bebé transmite-nos o que quer e o que não quer fazer, o que está e o que não está preparado para fazer, o seu conforto ou desconforto e a sua alegria ou tristeza, através da sua comunicação essencialmente corporal. Através de atividades simples, práticas e que promovam a conexão, podemos proporcionar uma estimulação, um acompanhamento e aprendizagens, transmitindo a segurança e a confiança, para que o bebé explore livremente e se desenvolva de forma saudável e feliz. Porque o bebé tem todas as capacidades dentro dele para o fazer, sabiam? Tem mesmo!

Qual poderá ser o papel do adulto no processo de estimulação de desenvolvimento do seu filho?

Enquanto adultos, podemos proporcionar um ambiente e estímulos adequados para que os bebés se desenvolvam, confiantes e felizes.

  • Oferecer a exploração de objetos e de movimentos;
  • Envolver-se nas brincadeiras e na exploração. “Eu faço e tu fazes comigo. Tu aprendes comigo e eu aprendo contigo”.
  • Ser guias orientadores, valorizando o que eles conseguem e têm vontade de fazer.
  • Acolher as frustrações, os “não consigo”, os “não sei”, os “não sou capaz”, com amor, com afetividade, dando confiança e segurança para experimentarem de novo, porque só repetindo é que poderão ser capazes de gostar e de conseguir e consequentemente ficarem motivados para a exploração.
  • Dar o suporte e apoio, enquanto facilitadores, para conseguirem realizar as atividades com sucesso.
    Desta forma, o bebé cresce mais seguro e mais confiante, acolhido e amado em todas as suas escolhas, momentos, capacidades, necessidades e vontades. E aprende enquanto brinca, enquanto explora, enquanto interage e enquanto conhece o meio envolvente e os seus pais.

Os padrões normativos do desenvolvimento infantil são considerações para as aquisições de cada etapa, esperadas do desenvolvimento infantil no geral e não são específicos e personalizados, tendo em conta as próprias necessidades, capacidades e desafios de cada bebé.

Cada bebé tem o seu próprio perfil de evolução e devemos sempre ter atenção e cuidado às comparações com outros bebés de idades similares.

Quais são os melhores momentos e a melhor altura do dia para realizar atividades de estimulação psicomotora com o bebé?

  • São os momentos em que o bebé está disponível e o demonstra através dos seus gestos, observando as suas manifestações corporais.
  • Excluir os momentos em que o bebé está com sono e os momentos em que tem fome.
  • Reduzir os estímulos exteriores: barulhos, luzes e diversos objetos espalhados pela casa.
  • Estes momentos devem ser prazerosos para o bebé e nesse sentido, se demonstrar desconforto ou choro, deve-de parar, perceber a causa e resolvê-la, acolhendo e reconfortando o bebé e só depois retomar a estimulação.

Queremos fazer parte do crescimento dos nossos bebés, crescendo com eles e contribuir com momentos práticos e leves para a estimulação do seu desenvolvimento, não queremos? E eles vão ser mais felizes e nós também!

0 a 3 meses

No primeiro trimestre, o bebé começa a olhar com atenção para os objetos, nomeadamente para os que produzem som ou que têm alguma luz associada. Nesta fase, é muito importante estabelecer o contacto com o nosso bebé, conversar com ele e iniciar o toque pelas diferentes partes do seu corpo, observando e entendendo onde gosta mais e onde gosta menos de ser tocado. Durante estes primeiros meses, estimulamos e promovemos a descontração global do seu corpo. A primeira forma de deslocamento do bebé é o rolar, que promove a integração dos dois lados do corpo

Sugestões de Atividades:

  • Acompanhar o rolar do bebé para um lado e depois para o outro lado com a ajuda das nossas mãos, comunicando com ele ao mesmo tempo. Acrescentar um objeto de estímulo sensorial, como por exemplo, uma bola com textura, sons ou luzes, que seja do seu interesse, motivando-o para iniciar o movimento.
  • Realizar pequenas batidas com as nossas mãos, nas suas pernas e braços e observar a sua receptividade e as suas reações.

3 a 6 meses

No segundo trimestre, podemos proporcionar ao nosso bebé, diferentes experiências sensoriais, através de atividades e de materiais que estimulem ao nível dos 5 sentidos, estimulando assim a sua percepção sensorial. Oferecer-lhe atividades motoras que estimulem a noção corporal, através do fortalecimento dos seus músculos e que facilitem o rastejar e o gatinhar para transitar para a posição de sentado. E através de um ambiente preparado podemos ajudar a desenvolver a capacidade de agarrar e de
manipular objetos.

Sugestões de Atividades:

  • Colocar o bebé de barriga para baixo e à sua frente, um objeto que visualmente estimulante, para promover esticar os seus braços para conseguir alcançar o objeto, agarrá-lo e manipulá-lo.
  • Colocar as mãos na planta dos pés do bebé, ajudando a flexionar os joelhos do bebé, respeitando a fluidez dos seus movimentos e dando suporte e apoio para que ele sinta segurança a empurrar os pés, com a finalidade de se deslocar para a frente e conseguir alcançar o objeto, agarrá-lo e a manipulá-lo.
  • Proporcionar ao bebé experiências de sensações diferentes. Sentir através do tacto mãos e pés, diferentes texturas (algodão, seda, veludo, lã, gelatina… e de temperaturas diferentes (água morna, com gelo misturado);
    Estes exercícios promovem o trabalho em conjunto dos dois hemisférios cerebrais, promovendo uma melhor noção de que o corpo tem dois lados e que eles podem trabalhar em dissociação, de forma a promover o movimento/deslocamento desejado e a estimular a coordenação motora global e a uma maior autonomia dos movimentos.

6 a 9 meses

No terceiro trimestre, o bebé vai demonstrando uma maior ação intencional e autonomia, demonstrando maior interesse para explorar o espaço e os objetos à sua volta. Gosta de explorar e aventurar-se a chegar ao pé dos seus brinquedos, a rolar, a rastejar ou até a gatinhar e começa a integrar a organização do espaço à sua volta e dos seus brinquedos, explorando diferentes formas de deslocamento e de locomoção. É nesta fase que os começamos a sentir mais ativos nos seus movimentos e deslocamentos. E nesta fase, atendendo à motivação e ao interesse do bebé em começar a querer colocar-se de pé, podemos oferecer a estimulação de movimentos globais, podendo facilitar, a estimulação para a posição de pé.

Sugestões de Atividades:

  • Convidar o bebé a sentar e termos 3 brinquedos connosco: um que ele gosta muito e outros dois que ele também gosta, mas menos do que o primeiro. Primeiro, oferecer-lhe no centro do corpo, para ele escolher com que mão agarrar, depois dar o outro e no final dar o objeto preferido. Observar ao longo da atividade, a escolha que o bebé vai fazer. Está forma, estimulamos a coordenação olho – mão do bebé, ao transportar os objetos de uma mão para a outra.
  • Fazer variadas atividades com o bebé, que o estimule a fazer a relação causa e efeito. Exemplos: apertar uma bola para dar luz, apertar um brinquedo que imite um som, apertar uma esponja dentro e fora de água, tocar num instrumento musical, tocar uma campainha, soprar e o moinho tirar
  • Esconder um brinquedo em baixo de 2 ou 3 caixas, à frente do bebé e de seguida, pedir-lhe o objeto, ajudando na capacidade de memorização e em consolidar a permanência dos objetos.

9 a 12 meses

No quarto trimestre, o nosso bebé, quer andar pela casa toda e explorar o ambiente de uma altura diferente da que estava habituado e vai ter vontade de explorar e aventurar-se mais e mais. É uma fase interessante para o encontrarmos em alguns sítios sue ainda não esperávamos ou estávamos preparados. É nesta fase que geralmente nos damos conta de uma maior autonomia em querer explorar sozinho e de forma mais confiante, o espaço envolvente. Estimular e desenvolver diferentes capacidades posturais e a coordenação motora e o seu equilíbrio, utilizando atividades e materiais facilitadores de manutenção e de evolução na posição de pé.

Sugestões de atividades:

  • Oferecer um objeto uma das vezes, na mão direita, outra das vezes, na mão esquerda, enquanto o bebé está em pé, estimulando a transferência de peso de uma perna para a outra perna, que é muito importante para a ação de caminhar;
  • Realizar encaixes e enfiamentos diversos, abrindo e fechando tupperware’s, de forma a estimular a pega e a preensão do objeto de escrita.
  • Enroscar e desenroscar garrafas de água,
  • Fazer um percurso motor simples, com almofadas, bancos, cadeiras, mesas: para os bebés poderem rolar, gatinhar, explorar, subir e descer com apoio, passarem por baixo e por dentro das cadeiras.
  • Andar, subir degraus e rampas, através de percursos motores simples com materiais que temos em casa)
  • Desenvolver a motricidade fina: pega e preensão.

Dica: As atividades de estimulação podem ser acompanhadas por uma música que o bebé e a família goste e que de forma consistente, ao ser colocada, o bebé vai associando o momento que se segue.

As sugestões de atividades foram divididas por trimestre, para proporcionar as experiências mais adequadas para cada etapa, respeitando o ritmo e a vontade de cada bebé. São atividades que estimulam e acompanham o bebé na sua viagem de desenvolvimento. E desta forma, a conexão entre o bebé e os seus pais aumenta e o seu vínculo torna-se cada vez mais seguro.

Por: Lúcia Garcia – Técnica de Reabilitação Psicomotora. Para dúvidas ou mais informações, consulte a página do instagram da @salpicos

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