Odontopediatria

Aparelhos na dentição de leite: sim ou não?

A necessidade de uma criança utilizar aparelho durante a fase de dentição de leite pode suscitar algumas dúvidas e até incertezas perante os pais.


Mas é nesta fase, que alguns dos problemas devem ser corrigidos, permitindo intervir assim que são detetados, o mais precocemente possível, na tentativa de evitar um desenvolvimento cranio-facial incorreto em adultos, com menor possibilidade de ser reversível. Há também maior facilidade e rapidez de tratamento quanto mais jovem é o paciente.

Neste período é possível tirar proveito do processo de crescimento da criança, utilizando as forças do crescimento para a correção da má oclusão e ter mais recetividade com o tratamento uma vez que a criança nesta fase está sob forte influência dos pais e coopera melhor. Além de que o tratamento precoce tem resultados mais estáveis do que o tratamento tardio.

A Organização Mundial de Saúde define a má oclusão como sendo um conjunto de anomalias dento-faciais que causam deformação ou impedem a correta função. Se algumas alterações de desenvolvimento não forem diagnosticadas e tratadas precocemente, podem originar deformações que posteriormente terão como única solução a correção de forma cirúrgica.

Os principais motivos de alterações de desenvolvimento são:
  • a persistência de hábitos de sucção (chucha, biberão ou dedo);
  • respiradores orais (em alguns casos por hipertrofia de adenoides ou amígdalas);
  • más posições da língua;
  • agenésias dentárias (falta de dentes);
  • inclusões dentárias (dentes que não erupcionam);
  • onicofagia (hábito de roer as unhas);
  • bruxismo (ranger dos dentes).


A ortopedia funcional dos maxilares é assim definida como a especialidade que diagnostica, previne, controla e trata os problemas de crescimento e desenvolvimento que afetam as arcadas dentárias e as suas bases ósseas.


Tem como objetivo remover interferências indesejáveis durante o crescimento dos maxilares e estruturas associadas, atuando de forma a guiar e orientar o correto desenvolvimento fisiológico, o qual leva os dentes a ocuparem as suas posições funcionais e estéticas. A ortopedia e a ortodontia intercetiva são muitas vezes a primeira fase de intervenção.


Melhoram as más oclusões e a aparência da criança. Podem não ser suficientes para impedir a necessidade de outros tratamentos ortodônticos mais tarde, mas podem minimizar a complexidade dessa segunda fase de tratamento, resultando numa fase de menor duração.

As más oclusões ocorrem devido a um desalinhamento dos dentes ou alterações no crescimento nos maxilares. O que pode afetar a eficácia da mastigação, a deglutição, a respiração, a fala, a postura corporal ou mesmo a autoestima do sorriso da criança.

Os dentes apinhados podem ainda dificultar a escovagem e a passagem do fio dentário, resultando em cáries dentárias e doenças gengivais. Além disso, dentes que se encontram projetados são francamente mais propensos a fraturas em casos de traumatismo.


É possível favorecer o desenvolvimento dos maxilares para que exista o espaço necessário para a erupção dos dentes definitivos, e desta forma evitar a possibilidade de ficarem inclusos ou a necessidade de realizar extrações dentárias.


A obtenção do correto equilíbrio funcional, permite controlar ou corrigir hábitos prejudiciais. A intervenção ortopédica pode converter um respirador oral num respirador nasal. Adicionalmente, pode melhorar-se a postura da cabeça e consequentemente da coluna e do resto do corpo.


A correção da postura dos lábios e língua normalmente ocorre uma vez que se tenha corrigido a questão esquelética. No entanto, há casos em que pode ser necessário terapia miofuncional.

Ilustração de casos em que é necessário intervir precocemente:

Mordida cruzada anterior (são visíveis os incisivos superiores por dentro dos incisivos inferiores) – paciente com 9 anos de idade

Mordida cruzada posterior(do lado esquerdo é visível que os dentes superiores estão por dentro dos dentes inferiores) – paciente com 4 anos de idade

Mordida cruzada anterior e posterior – paciente com 6 anos de idade

Mordida aberta anterior com má postura lingual (é visível que os dentes anteriores não contactam durante a oclusão e que a língua tem uma posição baixa e que se interpõe entre os incisivos durante a deglutição) – paciente com 8 anos de idade

Avanço do maxilar superior com projeção acentuada dos incisivos superiores – paciente com 8 anos de idade

Apinhamento dentário severo – Paciente com 10 anos de idade

Apinhamento dentário severo – Paciente com 8 anos de idade

Apinhamento dentário sem espaço para a erupção dos incisivos laterais definitivos superiores – paciente com 8 anos de idade

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