Diário da Mãe

A apontar para Paizão

Nunca quis ser apenas pai, sempre quis ser Paizão. O caminho para Paizão começou muito antes do meu primeiro doce rebento surgir. Na minha inocência pensava que íamos ficar grávidos de um momento para o outro. Para nossa surpresa é raro engravidar “à primeira”, por isso ser pai é também este percurso de dúvidas, e controlar timings, e aprender e, finalmente, receber a notícia ao acordar. Ia ser pai! 

Começou então a roda viva de consultas, ecografias, espalhar as boas novas e sentir aquele misto de alegria e nervoso miudinho. Aquelas ecografias… estivemos sempre à beira da cadeira durante as ecografias à espera do “tudo óptimo” do Dr Amadeu que vinha sempre às prestações. Mas veio!

Algumas mudanças eram necessárias: deixar de fumar antes do seu nascimento – check; tirarmos, literalmente, um curso para ter a certeza que não o deixo cair de cabeça durante o banho – check; preparar o mínimo indispensável lá em casa – check; alegria e nervoso miudinho – check;

E de repente, sentido como se fosse a maior surpresa, dia 13 de Outubro de 2017 passei a ser pai para o mundo cá fora também. Uma nova aurora na minha vida, um fervilhar interior que se espelha em cada reflexo de cada movimento. Até agora o caminho para Paizão não tinha diferido muito do caminho para ser Maridão.

Sabem, é que no fundo, ser Paizão antes do nascimento é dar muito – todo – apoio à Mãezona! Ser Paizão é indissociável de ter uma Mãezona como parceira.

E de repente o tempo passa a correr. E enquanto nos foge por entre os dedos no meio de noites de ternura e dias insanos comecei a perceber que algo cá dentro mudara. Já não era apenas um desejo de ser um bom pai; tornou-se um dos principais eixos do meu ser garantir a segurança e conforto daquele pequenino ser.

E de repente, pai x2! A 5 de Janeiro de 2020 nasceu o nosso segundo doce rebento. E se por vezes, em momentos de delírio onírico, me questionava se seria possível o meu coração crescer ainda mais, num ápice se me passou essa ideia quando vi aqueles olhos de azeitona pela primeira vez.

Para mim, apontar para Paizão passa pelo equilíbrio tramado entre dar liberdade e garantir a segurança deles; passa por estar em consonância serendipitosa com a Mãezona; passa por me derreter com as pequenas conquistas deles; passa por me render à ternura transbordante da relação entre estes dois. Ser Pai é mais viver com cada célula e pedacinho de energia os filhos do que ser algo por mim só.

Estou no início do percurso enquanto aponto para Paizão; espero que me vejam sempre como o porto de abrigo e catalisador dos seus percursos.

Por: Nizar Venturini (um Paizão)

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