Terapia da Fala

6 dicas para que o seu bebé largue a chucha de forma tranquila!

Na passada quarta-feira, dia 17 de Fevereiro, celebrou-se o Dia Mundial da Motricidade Orofacial. E por isso, lembrei-me de vos trazer um tema que muito preocupa pais e educadores: a chucha ou chupeta, como preferirem chamar.

Sabiam que a chucha pode levar a alterações nas funções do sistema estomatognático (fala, respiração, mastigação, sucção e deglutição)?

Sabemos que a sucção seja nutritiva (com alimento) ou não nutritiva (como dedo, chucha…) traz uma sesnsação de prazer e bem estar à criança e é essa a razão pela qual os bebés gostam tanto da chucha como forma de se autoregularem e acalmarem.

E, de facto, a chucha pode ser uma boa amiga desde que, claro está, utilizada com conta peso e medida. Podemos considerar que por volta dos 3 anos será expectável que haja menos necessidade de se acalmarem através da sucção pelo que será aparentemente uma boa idade para tentar retirar este hábito ou mesmo antes (se a criança o for permitindo gradualmente) para interferir o menos possível no desenvolvimento das funções orofaciais e crescimento craniofacial harmonioso. No entanto, não nos podemos esquecer que por detrás da utilização da chucha poderão estar associadas questões emocionais da criança. Por exemplo, com a chegada de um irmão é frequente que a criança queira manter o apego com a chucha pois este objeto irá transmitir-lhe alguma segurança e tranquilidade. momentos de instabilidade familiar ou até mesmo a chegada de um irmão.

Sendo assim, deixo-vos umas dicas para uma tentativa calma, ponderada e sem dramas na retirada da chucha:

  • Compreenda a criança: Esta é de facto a mais importante de todas! Não se pode exigir que uma criança compreenda o porquê de lhe estarmos a tirar o seu bem “mais precioso” sem fazer birra, sem chorar… por isso, não vale dizer à criança “só os bebés é que usam a chucha” ou humilhá-la à frente de outras pessoas com o intuito de facilitar a tarefa porque no fundo, só estão a prejudicar e a fazer com que se sinta inferiorizada. Compreensão acima de tudo.
  • Em equipa: Não se esqueça que este é um trabalho de equipa. Falem muito com a criança sobre este tema e peçam aos adultos que estão mais presentes na sua vida (avós, tios…) que ajudem. Não vale os pais estarem a tentar uma coisa e vir alguém por trás e boicotar!
  • Aproveite o momento certo: Como já referi, há momentos mais instáveis na vida familiar que não deverão de todo ser o mote para a retirada da chucha. No entanto, se tudo estiver bem e a correr como planeado, vá de forma gradual tentando retirar em certos momentos do dia e vá observando a reacção.
  • Consciencialização: Se a criança já for crescida, vá tentando explicar-lhe de forma simples que a chucha traz malefícios diretos na sua “boquinha”. Mostre-lhe vídeos, conte-lhe uma história…Pode ainda elaborar um contrato com ela para só poder utilizar a chucha durante 1h por dia (exemplo apenas) e ver como a criança reage.
  • Deixar a chucha num sítio combinado por ambos: Aproveite um passeio onde possa deixar a chucha no mar para os peixinhos bebés, num jardim, colocar na árvore das chuchas (há consultórios médicos que já têm) mas não se esqueçam que, mesmo que a criança vos permita deixar a chucha nalgum sítio, tenham sempre uma de reserva porque o mais normal é que a criança não tenha total consciência do ato e possa mesmo entrar em dificuldade na gestão das emoções.
  • Ajuda profissional: Quando as estruturas e musculatura orofacial estão a apresentar alterações (como fraqueza por exemplo pelo posicionamento inadequado da língua), é necessária uma avaliação pelo Terapeuta da Fala para realizar uma possível intervenção ao nível da fala, deglutição, respiração.

Depois de todas estas dicas, resta uma fundamental: a paciência. Com carinho, afeto, conversa com a criança será certamente mais uma etapa concluída com sucesso!

Para finalizar leiam aqui no blog o artigo sobre “De que forma os hábitos nocivos podem prejudicar o desenvolvimento do meu filho?”

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